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O HOMEM NÃO SABE FECHAR AS PERNAS DA MULHER
Publicado por admin em O Feminino, O Masculino, Psicologia, relacionamentos às 26 de Junho de 2008
Se uma mulher for atrás de seus ex, determinada a transar com eles, é bem provável que nenhum deles, ou muito poucos, recusem-se a receber o sexo oferecido. Homem raramente recusa sexo fácil, esteja ele solteiro ou casado – claro que, com uns, ela teria mais trabalho, mas conseguiria.
Já se um homem for atrás de suas ex, determinado a transar com elas, é bem provável que poucas aceitem o sexo oferecido. Especialmente se estiverem comprometidas, casadas, elas recusarão. Mulher sabe TRANCAR as pernas.
Essas características comportamentais dos dois sexos ajudam a explicar a dificuldade do homem em tomar a atitude de terminar um relacionamento, comparada à facilidade com que a mulher tem em colocar um ponto final, quando aquele homem não lhe interessa mais, naquele momento. Ela sabe que, se voltar atrás, um dia, ele dificilmente a recusará. Mesmo se ele já estiver com outra, ela volta ao jogo quando quiser.
Já o homem tem MEDO. Medo de se arrepender e, ao tentar voltar, escutar um categórico “não”. Medo de que aquelas pernas sejam eternamente fechadas para ele. E pior: abertas para outro. Ou seja, não é apenas o medo de perder uma, de ser rejeitado, é também o medo de perder para outro. Mexe-se tanto com o instinto “colecionador”, acumulador, do homem, quanto com seu instinto competitivo.
Um homem teme abandonar uma mulher, mesmo que ela lhe faça mal, mesmo que não goste muito mais dela, porque desconfia que, se fizer isso, aquela mulher se sentirá enfurecida, sentirá ódio dele (sim, ela sentirá), procurará outro (sim, ela procurará), acabará se interessando em outro (sim etc.) e, quando isso acontecer, até mesmo por vingança, sadismo, recusará aquele primeiro, caso ele a procure.
Então, quando um homem pensa em abandonar uma mulher, ele sabe: posso estar perdendo esta b* PARA SEMPRE. Daí toda a sua biologia masculina fala contra isto. Ele, mesmo morrendo de vontade de mandar aquela mulher ir pastar, ir tomar no c*, não a manda. Engole calado.
Paradoxalmente, talvez só exista um caso em que aquelas pernas abandonadas não se fecharão: é quando o homem que as abandona nunca mais vai atrás delas. Se elas não acharem outro dono, um dia elas retornarão espontaneamente. Abertas.
Um homem só conseguirá ser livre quando puder olhar para uma mulher e pensar: “nunca mais comerei sua b*, outros comerão, mas ok!” Mas o homem não consegue, esta idéia do “nunca mais” é insuportável para ele. O homem nunca consegue fechar as pernas da mulher.
PS.: perdão pelos termos relativamente chulos, mas o homem que pensa em “penetrar uma vagina” nunca foi homem…
Intertexto:
* a famosa peludinha de Coubert, citada nos comentários, em foto que tirei em Paris (Musée d’Orsay, se não me engano) – pensei mesmo em usar este quadro como ilustração para o post, mas, mais que “escandaloso” (em pleno ano 2008!), seria óbvio demais.
A MOÇA DA LOJINHA
Publicado por admin em O Feminino, Psicologia, contos, relacionamentos às 9 de Junho de 2008
Sei que tem um sorriso bonito – mas qual sorriso não seria bonito?! – meu Deus, é hoje o Dia Internacional da Digressão?!
Tem um sorriso bonito – ou qualquer outro bom adjetivo – e a bunda bem comprimida em uma bermuda jeans.
Essa moça é casada.
E é absurdamente infiel. Mas ela não sabe disso.
Esse sorriso dela é que a torna infiel. Quando o descrevi, disse que era “bonito”. Mas, na verdade, é encantador. Não estou apenas trocando um adjetivo por outro mais intenso. Digo “encantador” no sentido de sedutor. Pensem na origem da palavra “encantar”. Não sabem, ok. Nem eu. Mas me lembra o canto das sereias, que enfeitiçava os antigos marinheiros tragando suas vidas – menção honrosa seja feita a Ulisses, que a elas conseguiu resistir, embora a custo de engenhoso artifício(1).
O sorriso da moça seduz porque é gratuito. Tenho certeza que seu patrão não a instruiu para a gentileza, muito menos a persuadiu a isto. Porque todos os outros funcionários da lojinha tratam bem os clientes, mas não sorriem gratuitamente.
(E tenho certeza que é patrão, e não patroa – caso fosse, já estaria demitida.)
A moça da lojinha não, ela sorri docemente – qual sorriso não é doce?! O que não é dado para nós?
Ela sorri candidamente a cada vez. A cada vez que entramos na loja, a cada vez que olhamos para ela, a cada vez que pagamos, a cada vez que saímos. A cada vez, enfim.
Chegamos a ficar sem saber o que fazer. Ao primeiro sorriso retribuímos, por educação. Mas e a todos os outros?!
Esse seu sorriso me parece uma carência extrema. Lembra-me aquele mito da mulher esperando o príncipe no cavalo branco. Numa versão mais moderna, talvez. Ela parece querer ser raptada.
Que ela é casada sei porque vi a aliança. Que é casada e sorri infinitamente, é apenas o que sei dela. O resto deduzo. Que seu marido não é rico. Que deve ser, no mínimo, um pouco ciumento. Que não tem, o casal, muito tempo para divertir-se, pois ela trabalha muito. Que ela se casou por gostar dele, mas sabia que ele não era o príncipe. Que quando ela passou a trabalhar nessa loja ela tomou contato com vários outros homens, com mais dinheiro. Que ela não quer dinheiro, apenas a liberdade que esse lhe daria – esse homem e seu dinheiro. Ela quer que o príncipe pare na porta da loja com seu carro e lhe leve para viajar.
Talvez eu esteja completamente enganado – seria ela a esposa do dono da loja? Mas isto não explicaria nem porque ela trabalha tanto nem o sorriso inabalável.
Suponho também que ela não traia o marido. Deve ter sido criada dentro de princípios honestos, tanto é que trabalha. Não foi obrigada a casar, não tem cara de quem tem filhos. Se casou, tem que ser fiel. Tudo isso permanece no seu consciente. Não pensa em trair. Não fica pensando no príncipe. Ocasionalmente deve ter sonhos que acha estranhos, com homens desconhecidos, um rosto que viu no dia. Acorda um pouco confusa.
O seu sorriso é que a-trai.
Se ela traísse o marido, não sorriria assim, indiscriminadamente. Para quase todos os homens. Ela não percebe, mas para uns ela sorri mais que para outros. E para as mulheres, um pouco menos ainda (e a amplitude de abertura da boca é ligeiramente menor). Coisas sutis.
Deve receber muitas cantadas. Sutis também, pois não é oferecida, longe disso. Cantadas grosseiras refletem não o caráter do homem, mas o da mulher que as recebe. Como são sutis, apenas finge que não as entendeu, pois é casada e fiel. Sente-se lisonjeada, apenas. Levemente satisfeita.
Contudo, não é isso que ela quer. Ela quer ser raptada. Uma proposta irrecusável. Nada de casa, comida e roupa lavada. Quer hotel, bebida e biquíni. E aninhamento, claro.
Então ela soltaria seu cabelo.
Essa moça é uma sereia. Mas ela não sabe disso.
O que encanta nessa moça não é apenas o seu sorriso. Para quem consegue ver além, há também esta sua ingenuidade. Semi-ingenuidade. Um Demônio sem consciência, sem culpa.
Deus permita que ela nunca tome consciência do que é, ou pararia de sorrir.
Invertendo tudo agora… Será que ela é apenas simpática e eu é que estou querendo raptá-la? Raptar esta simpatia extrema? Tê-la só para mim?
Já disseram que o “canto das sereias” era apenas o som do vento passando por rochedos e resvalando nas ondas, o que o tornava quase feminino. Os marinheiros, curiosos, se dirigiam à origem desse som e seus barcos quebravam nas pedras.
Intertexto
* (1) para escapar do canto das sereias, Ulisses (ou Odisseu) tapou o ouvido dos outros tripulantes e amarrou-se ao mastro do navio;
* nem todas as sereias têm corpo de peixe: algumas possuem corpo de pássaro;
* diz a lenda que a única forma conseguir se livrar de uma sereia é cantar ainda mais bonito que ela;
* Franz Kafka, em um conto de 1917, escreveu: “As sereias, porém, possuem uma arma ainda mais terrível que seu canto: seu silêncio.”